Wednesday, November 01, 2006

BRASIL PAGA MAIS POR TELECOMUNICAÇÃO

Ministério da Ciência e Tecnologia x VEJA
Quando a 'Veja' apresenta a privatização da Telebrás como um marco histórico e promissor para o Brasil, baseia-se apenas no crescimento da quantidade de linhas telefônicas, esquecendo de cruzar dados com o crescimento no resto do mundo, com a evolução tecnológica e com o aumento dos preços das tarifas e impostos. Alguns setores do próprio Governo Federal sabem que a situação não é bem essa. (http://agenciact.mct.gov.br/index.php/content/view/40282.html)

Portugal Telecom
Em Portugal, por exemplo, com uma assinatura de 54 reais mensais é possível fazer ligações nacionais ilimitadas. Pode-se também contratar por 12 reais bandas de 4 horas diárias ou para fins de semana inteiro. Para quem não acredita, veja a página da Portugal Telecom (acionista da Vivo...)
http://www.ptcom.pt/tarifario/planosdeprecos.aspx?area=para%20sua%20casa
Tem um plano que a ANATEL de Portugal suspendeu, provavelmente devido à concorrência desleal, onde a ligação a noite é de graça! http://casa.telecom.pt/PTResidencial2/Tabs/MyPTPublico/Plano_Precos/noitesgratis/noitesgratisinfo.htm
Tem outras em que você ganha modem, telefone sem fio, net banda larga e wi-fi(!), linha telefônica... Só para ser vinculado exclusivamente à operadora!

Telefônica Argentina
Para não ir muito longe, a vizinha Argentina também tem custos muito abaixo dos nossos.
Lá, o interurbano pela Telefônica (a mesma do Brasil...) varia de R$0,32 / R$0,06 por minuto. A ligação local varia de R$0,02 / R$0,0015 (milésimos de real!) por minuto. As diferenças são em relação a horários e distâncias, não em relação ao pagamento pós ou pré-pago.
Confira! Vá ao site http://www.telefonica.com.ar/tarifas/ e clique na opção
"Tarifas de Llamadas Interurbanas a partir de la Clave 2"

Privatização benéfica para quem?
A evolução e o barateamento das linhas telefônicas fixas no Brasil NÃO se deve à privatização da Telebrás, mas sim ao avanço tecnológico ocorrido nos anos 90. O que ocorreu foi um movimento mundial, não local. O fato local está no aumento das tarifas e na queda monstruosa do valor patrimonial das linhas existentes anteriormente. O grande perdedor foi a classe média, proprietária de linhas telefônicas que ao longo de 3 décadas financiaram a instalação das redes brasileiras, e de uma hora para outra viram seu patrimônio ser doado à empresas estrangeiras. Além de serem obrigados a pagar assinaturas e tarifas absurdas, com impostos cada vez mais altos.
A classe menos favorecida também foi enganada, já que não pôde aproveitar a verdadeira popularização da telecomunicação no mundo. Afinal, de que adianta ter uma linha telefônica 'de graça' que consumirá no mínimo 10% da sua renda mensal? Fica claro então quem se beneficiou com a privatização da Telebrás: as empresas estrangeiras e o governo. A população foi enganada com a falsa propaganda de que o barateamento das linhas ocorreram devido à privatização.

Só prá Registrar

Thursday, October 26, 2006

A VISTA, SÓ AMANHÃ!!!

É comum encontrarmos em paredes de butecos frases do tipo: "Fiado? Só em dia feriado, que o boteco está fechado." Porém, com a atual banalização do crédito financiada pelos juros altos eu não me assustaria se em algum buteco encontrasse frases assim:


"Use aqui o seu crédito imediato, coma, beba, e pague FIADO!
taxa 2,7% ao mês"
ou
"Contrate aqui o seu CDC BUTECO".


Brincadeiras a parte, em lojas de móveis e eletrodomésticos a célebre frase "Esse preço dividido já está com o desconto" já foi superada. Nos últimos anos escutei algumas pérolas, como:


"Aliás, se for a vista no cartão não dá prá fazer esse preço."

" Esse preço não dá prá dividir em menos vezes, o sistema não deixa... "

"Vamos dividir! a gente está com uma taxa tão boa esta semana..."

"Nossos clientes preferenciais são os que compram a prazo."

"Qual a nossa taxa? Bom, é só dividir a diferença pelo preço a vista e depois dividir pelo número de prestações...".

E lá se foram os juros compostos, a tabela price... Cabe aqui uma questão: se os vendedores estão comercializando crédito e contratando taxas de juros, não seria necessário regulamentar este tipo de venda? A venda de crédito sem a participação de um profissional específico me parece com a venda de fármacos sem a presença de um farmacêutico.

Hoje foi noticiado que 1/3 dos aposentados tem grande parte de suas aposentadorias comprometidas com empréstimos consignados. Imagino que os outros 2/3 tem comprometimento com financeiras ou lojas. Só quero ver quando a bolha estourar... Sem querer ser apocalíptico, mas já sendo, em algum momento a dívida da população será tão grande que o calote geral será inevitável. Tomara que após a tsunami sobre algum buteco para pintar em suas paredes:

"Fiado só se faz a um bom amigo, e o bom amigo nunca pede fiado."

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TELEFONE CLASSE MÉDIA

A CAMPANHA

Estou com saudade da época em que telefone fixo era patrimônio, não benefício. Era caro, a qualidade era baixa, mas o preço era justo e o dono da linha era bem atendido. Acho que chegou a hora do governo lançar o 'TELEFONE CLASSE MÉDIA'. Não precisa de muita coisa. Só quero pagar um preço justo e ser tratado como um cliente, não como beneficiário.

REVOLUÇÃO DIGITAL

Tem candidato que se orgulha da sua 'turma' ter feito a 'moçada' do Brasil inteiro adquirir um telefone fixo, internet, e etc. Tem outros que vangloriam-se dos 'companheiros' que inventaram a enganação do telefone popular... Quanta lorota dos dois lados... o telefone fixo foi popularizado devido à revolução digital que ocorreu na última década. Vejam os Correios: mesmo com a roubalheira tradicional em estatais conseguiu melhorar os serviços sem quadruplicar seus preços. Ou observem a evolução das lotéricas, que se transformaram em mini-agências bancárias sem cobrar taxas de utilização. Esta mesma melhoria deveria ocorrer na Telebrás, e em escala maior por ser diretamente beneficiado pela evolução tecnológica. Mas justo neste momento a estatal foi privatizada...

O que aconteceu na verdade foi o seguinte: por onde passava apenas uma linha analógica agora podem passar milhares de linhas digitais. Fazendo uma analogia com a malha viária, é como se alguma evolução tecnológica permitisse que os automóveis e caminhões trafegassem uns por cima dos outros, em camadas, como nas vias aéreas. Melhor ainda: não seria preciso destruir a malha em utilização, e investir apenas 5% do valor da estrutura existente. E os míseros 5% que as estrangeiras precisariam investir no Brasil foram cobrados da classe média, com assinaturas absurdas para quem já era cliente, e aumentos de taxas exorbitantes. Qualquer economista pode provar que esses aumentos nas taxas e assinaturas já dariam para cobrir com folga o investimento necessário em troncos de fibras ópticas e expansão da rede metálica. Mas para completar o descaramento, o BNDS emprestou o dinheiro que a gente já tinha 'dado' às novas operadoras estrangeiras. Como o governo também queria o dele, aumentou o imposto e permitiu o repasse total para nós (o já famoso cálculo do ICMS). E a classe média pagou de novo...

A SITUAÇÃO ATUAL

Depois de tanta palhaçada, pensem na situação de hoje:
Os serviços de telefonia respondem por até 80% das reclamações aos Procons do Brasil.
Agora temos que falar com robôs ou sub-funcionários-terceirizados que apenas decoram frases mal traduzidas e não entendem nada de telecomunicação.
O Brasil é o único país do mundo em que a revolução digital não abaixou os custos com telecomunicações. Muito pelo contrário, aumentou consideravelmente.
Nos últimos dez anos, a classe média (que já tinha telefone antes de 1995) custeou a 'popularização' da telefonia fixa, pagando assinatuaras absurdas e cobrança por pulso. Se alguém quisesse, por exemplo, migrar para um pré-pago, teria que perder 'benefícios', pagar 1 real o minuto, se ver obrigado a trocar de número ou não poder usar pré-pago e internet 'banda larga' ao mesmo tempo. Agora todo mundo 'pode'. E quem vai devolver esses 10 anos de assinatura e cobrança por pulsos?

A VIRADA DE MESA

Vejam só: uma ligação voIP custa 12 centavos o minuto para qualquer local do mundo ou celular. Mesmo algumas operadoras tem planos de internet discada ilimitada, utilizando a linha telefônica já existente, com assinatura em torno de 50 reais ao mês. Esses dois dados comprovam que a viabilidade técnica sempre existiu. O que sobrou nos últimos anos foi a ganância do governo e das empresas, amarrando um serviço a outro para conseguir um retorno de investimento mais curto do que qualquer outro que se tenha notícia no mundo.

Por isso, está na hora de criarmos a campanha 'TELEFONE CLASSE MÉDIA'. Atendimento de verdade e preço justo. Nem queremos de volta o que já nos foi roubado, porque senão seria a campanha do 'TELEFONE DE GRAÇA POR 20 ANOS'.

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Só prá Registrar o início dos trabalhos...