A CAMPANHA
Estou com saudade da época em que telefone fixo era patrimônio, não benefício. Era caro, a qualidade era baixa, mas o preço era justo e o dono da linha era bem atendido. Acho que chegou a hora do governo lançar o 'TELEFONE CLASSE MÉDIA'. Não precisa de muita coisa. Só quero pagar um preço justo e ser tratado como um cliente, não como beneficiário.
REVOLUÇÃO DIGITAL
Tem candidato que se orgulha da sua 'turma' ter feito a 'moçada' do Brasil inteiro adquirir um telefone fixo, internet, e etc. Tem outros que vangloriam-se dos 'companheiros' que inventaram a enganação do telefone popular... Quanta lorota dos dois lados... o telefone fixo foi popularizado devido à revolução digital que ocorreu na última década. Vejam os Correios: mesmo com a roubalheira tradicional em estatais conseguiu melhorar os serviços sem quadruplicar seus preços. Ou observem a evolução das lotéricas, que se transformaram em mini-agências bancárias sem cobrar taxas de utilização. Esta mesma melhoria deveria ocorrer na Telebrás, e em escala maior por ser diretamente beneficiado pela evolução tecnológica. Mas justo neste momento a estatal foi privatizada...
O que aconteceu na verdade foi o seguinte: por onde passava apenas uma linha analógica agora podem passar milhares de linhas digitais. Fazendo uma analogia com a malha viária, é como se alguma evolução tecnológica permitisse que os automóveis e caminhões trafegassem uns por cima dos outros, em camadas, como nas vias aéreas. Melhor ainda: não seria preciso destruir a malha em utilização, e investir apenas 5% do valor da estrutura existente. E os míseros 5% que as estrangeiras precisariam investir no Brasil foram cobrados da classe média, com assinaturas absurdas para quem já era cliente, e aumentos de taxas exorbitantes. Qualquer economista pode provar que esses aumentos nas taxas e assinaturas já dariam para cobrir com folga o investimento necessário em troncos de fibras ópticas e expansão da rede metálica. Mas para completar o descaramento, o BNDS emprestou o dinheiro que a gente já tinha 'dado' às novas operadoras estrangeiras. Como o governo também queria o dele, aumentou o imposto e permitiu o repasse total para nós (o já famoso cálculo do ICMS). E a classe média pagou de novo...
A SITUAÇÃO ATUAL
Depois de tanta palhaçada, pensem na situação de hoje:
Os serviços de telefonia respondem por até 80% das reclamações aos Procons do Brasil.
Agora temos que falar com robôs ou sub-funcionários-terceirizados que apenas decoram frases mal traduzidas e não entendem nada de telecomunicação.
O Brasil é o único país do mundo em que a revolução digital não abaixou os custos com telecomunicações. Muito pelo contrário, aumentou consideravelmente.
Nos últimos dez anos, a classe média (que já tinha telefone antes de 1995) custeou a 'popularização' da telefonia fixa, pagando assinatuaras absurdas e cobrança por pulso. Se alguém quisesse, por exemplo, migrar para um pré-pago, teria que perder 'benefícios', pagar 1 real o minuto, se ver obrigado a trocar de número ou não poder usar pré-pago e internet 'banda larga' ao mesmo tempo. Agora todo mundo 'pode'. E quem vai devolver esses 10 anos de assinatura e cobrança por pulsos?
A VIRADA DE MESA
Vejam só: uma ligação voIP custa 12 centavos o minuto para qualquer local do mundo ou celular. Mesmo algumas operadoras tem planos de internet discada ilimitada, utilizando a linha telefônica já existente, com assinatura em torno de 50 reais ao mês. Esses dois dados comprovam que a viabilidade técnica sempre existiu. O que sobrou nos últimos anos foi a ganância do governo e das empresas, amarrando um serviço a outro para conseguir um retorno de investimento mais curto do que qualquer outro que se tenha notícia no mundo.
Por isso, está na hora de criarmos a campanha 'TELEFONE CLASSE MÉDIA'. Atendimento de verdade e preço justo. Nem queremos de volta o que já nos foi roubado, porque senão seria a campanha do 'TELEFONE DE GRAÇA POR 20 ANOS'.
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